Um rodeiro

         Como de hábito, fiz sinal que não. Disse não ao pedido mudo e ao olhar súplice daquele jovem rodeiro. Eu o já tinha visto antes de ele se aproximar. Peguei quase que instintivamente o celular e olhei qualquer coisa. Qualquer motivo para dar a entender que não sabia de sua aproximação.

Da parte de fora, meu para-brisa nem estava sujo. A parte de dentro, sim, sujo, manchado até. Nada que um pano úmido com alguma coisa especial para vidros de carros não limpasse. Sou acomodado para essas coisas. Prefiro limpar quando a sujeira não permite mais uma visão nítida do trânsito.

O rodeiro não tinha tempo para lamentar-se por muito tempo a cada não que recebesse. Lamentava-se em parcelas a cada carro, a cada motorista de carro que lhe sinalizava um não.

Sinal verde. Como de hábito, segui para meu destino. Um destino diferente.

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